segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

deixa o prefeito trabaiá

A reunião da câmara desta segunda foi superconcorrida (dizem que é a última do ano). Não porque iriam votar o orçamento de 60 milhões de reais para 2010, mas devido ao processo de afastamento do prefeito Roberto Luciano do cargo. A posse da vice-prefeita Márcia Zampar já estava agendada para amanhã. Porém, o prefeito entrou com recurso (ou liminar) junto ao órgão competente (não sei se na instância municipal) e ganhou o direito de retomar o cargo para o qual foi eleito, encerrando, finalmente, esta questão.

Realmente, a reputação da atual administração vai ficar manchada se não esclarecerem as denúncias de desvio de verbas, fraudes nas licitações e superfaturamento. Provavelmente houve má fé de alguns e supercompetência da oposição. O atual prefeito se comprometeu com os 12 mil eleitores que apostaram nele e precisa agir com transparência. Tem muitas promessas de campanha a cumprir, por isso, concordo com o vereador Durvalino Gôngora, "deixa o prefeito trabaiá". Mas mostrar minuciosamente (e exaustivamente) para a população onde e como aconteceram os erros apontados nas denúncias, doa a quem doer, seria, pra mim, questão de honra.





Algumas pérolas da reunião de hoje, transmitida ao vivo pela TV Sul***:

"Nós* não temos vínculo nenhum, só amizades."
(Picapau)

"Ser vereador em Guaxupé, hoje, é complicado."
(idem)

"Eu vou me abster de votar (o impeachment do prefeito) em respeito ao cidadão. Espero que Deus ajude para que a justiça seja feita."
(Levy)

"Eu duvido que existe alguém que lute mais pelo povo do que eu."
(Didinho)

"Se Roberto Luciano voltar amanhã e não exonerar esse safado** é porque ele é muito burro."
(Jorginho)

"Me inclua fora dessa."
(Deus)

* Picapau, Tânia e Nico.
** Diego, pregoeiro. Não tenho certeza, provavelmente o responsável pelas licitações da prefeitura.
*** Muito bacana poder assistir à reunião da câmara no conforto da minha casa. É por essas e outras que a imprensa (escrita, falada, televisionada) é considerada o 4º Poder. Aliás, não confunda imprensa com mídia.


Enquanto os adultos se atracavam interiormente no andar de cima, no Teatro Municipal as crianças da Educação Infantil da Interativa transbordavam sentimentos:



Difícil explicitar sentimentos quando as pessoas se unem por interesses, quando há pouca franqueza, mais fraquezas. Está muito difícil ser autêntico, hoje em dia. Obrigada, Douglas, pelas fotos da Câmara.

sábado, 12 de dezembro de 2009

drogas

"O que é felicidade meu amor?"

Quem me conhece sabe que não curto Bossa Nova. Talvez, por isso, nem tenha percebido de imediato minha furada na inauguração do Credicard Hall, rs. Enfim, tudo é aprendizado. São tantas coisas a dizer...

GUAXUPÉ SEM PREFEITO

Há 2 dias esta frase aparece nos telejornais da EPTV. Muito triste nossa cidade ficar em evidência desta forma. Ainda mais no dia da chegada do Papai Noel e da inauguração da iluminação de Natal (no valor de 90 mil reais, como soube por intermédio do jornal Correio Sudoeste - voltaremos neste assunto posteriormente). O juiz da comarca de Guaxupé determinou o afastamento do prefeito por 180 dias, mas não significa que isto acontecerá de fato, pois o prefeito pode recorrer dessa sentença. Na sexta, 11, às 17h, a Câmara dos Vereadores realizou sessão extraordinária para votar se a vice também seria afastada pelo mesmo período. Ficou estabelecido que sim. Na ausência do prefeito, o vereador "Jorginho São-paulino", presidente da Câmara, assumiria o comando do executivo, deixando o vereador Pica-pau em seu lugar.

O afastamento ocorreria para o Ministério Público apurar se houve, realmente, improbidade administrativa no município. São diversas acusações, ainda cabe aos "réus" se defenderem. É importante ressaltar que nunca houve oposição tão eficiente em Guaxupé. Infelizmente, o discurso dos vereadores durante a reunião extraordinária foi medíocre, com direito à aposta e pagamento em "filé".

EM NOME DE DEUS

Tantas barbaridades são ditas em nome de Deus... O teatro realizado nas escolas por um grupo de fiéis (a doutrina não importa - diga-se de passagem, são atores amadores competentíssimos, a encenação prende a atenção da plateia) procura mostrar aos jovens os perigos proporcionados pelas drogas. É claro que a maioria desses adolescentes não está interessada nesse discurso, quer mais é experimentar um "baseado". Eu sou réu confesso, fui uma dessas curiosas que experimentou (não como aquele presidente, que não tragou, rs). E, como tudo tem seu tempo, só parei de "usar" quando percebi que aquilo não tinha mais nada a ver comigo. Por exemplo, atualmente, sou muito consciente para compactuar com o narcotráfico. Este discurso pode ser careta pra muitos, como um dia foi pra mim. Continuo crendo que "tudo vale a pena se a alma não é pequena", desde que se transforme em aprendizado, nunca em vício. Graças a Deus, tudo muda! Um dia a descriminalização das drogas será realidade. Valerá a consciência de cada um.































































































































































PREPAROU, BEBEU, FAZ

Ação - o que muda o estado das coisas são as atitudes. Por isso não gosto de clichês, nem de conselhos. Prefiro quebrar a cara, então, abaixo essa minha "papagaiada", hahahahaha Pior que isso é a Xuxa fazendo propaganda de xampu com aquele cabelo desmilinguido; ou garrafas de pepsi (um líquido de conteúdo duvidoso) "paquerando" frangos assados (gostaria de saber o que essa famosa marca está fazendo pra refrescar o mundo dos pinguins - APOSTO QUE ELES NÃO RECEBEM CACHÊS, SENÃO ESTARIAM HOSPEDADOS EM RESORTS LOCALIZADOS EM SELETOS PARAÍSOS GELADOS, LIVRES DO AQUECIMENTO GLOBAL). Infelizmente, tudo é hipocrisia. Daí aparece a moça "bonita" do telejornal perguntando se "você surfaria uma onda de 12 metros?". Se eu fosse surfista, querida, óbvio que surfaria. Esta pergunta é no mínimo estúpida, a vantagem das emissoras é que a maioria dos telespectadores não faz questão de perceber.


Viva a propaganda inteligente, única salvação presse mundo capitalista.

domingo, 6 de dezembro de 2009

transfiguração

Talvez a passagem dos anos esteja causando um grande rebuliço na minha vida interior. Até então não era dada a reminiscências. Mas nos últimos tempos tenho feito viagens constantes ao meu passado, limpado algumas poeiras. Outras precisam mesmo ser queimadas, dizem que o fogo purifica.

Ao procurar a foto do João Daniel Tikhomiroff para a postagem anterior, boas e más recordações ("quero viver meu presente, me lembrar tudo..."). Depois que pedi demissão do Banco do Brasil, fiquei dois anos sem emprego fixo. Até que o namorado da minha vizinha Valéria Hartt me convidou para ser fotógrafa do jornal Ad Business, publicação direcionada ao mundo da publicidade e adjacências. Quando Felipe Pugliesi passou a editor da Revista Propaganda, da Editora Referência, fui com ele e lá fiquei por dois anos.

O big boss da editora, Armando Ferrentini, era homem de atitudes peculiares: permitia que determinado funcionário (já indesejado) tirasse férias, para surpreendê-lo na volta com a demissão. Assim foi com a fotógrafa anterior a mim. Depois, novamente com outro funcionário do qual não me lembro bem. Minhas férias estavam vencidas e eu já não curtia muito o ambiente da redação, sem grandes amizades ou estímulo financeiro. Foi aí que tomei uma decisão errada, não pelos fins que me moveram, mas pelos meios.

Aconteceu em 1999, na inauguração do Credicard Hall, com show de Caetano e João Gilberto, o lugar lotado de celebridades da publicidade e anunciantes poderosos. Havia muitos artistas também, mas só me lembro, agora, do Frejat. Eu, muito metida, resolvi me sentir convidada e decidi não trabalhar, guardei minha câmera na bolsa. Pensando bem, acho que foi mais insegurança que presunção. Eu ficava sempre muito ansiosa, sem saber o que esperar da minha analógica totalmente manual. E tanta "gente bacana" reunida me deixou aturdida. Confesso que nem consegui curtir a noite, talvez peso na consciência por não estar sendo responsável. Estava tão atordoada, que no clímax do evento, quando João Gilberto meteu o pau na qualidade do som da casa e Caetano precisou contemporizar (http://joaogilberto.org/arthur2.htm, entre outros), me encontrava no banheiro. Perdi o melhor da festa! E, pra finalizar, na saída roubei um litro de Red Label que estava intacto numa das mesas. Na ocasião, achei muito natural levar uma bebida daquele lugar cheio de gente que eu imaginava ser metida à besta, pra curtir com os amigos num momento mais aconchegante...

Hoje não agiria dessa forma. Pelo menos, tiraria algumas fotos, rs, brincadeirinha... O fato é que em novembro daquele mesmo ano minhas sonhadas férias foram concedidas. O resto você já pode imaginar.

Especialmente para um amigo que curtiu a história do DKV, outro episódio, desta vez na inauguração dos estúdios de jornalismo da Rede Globo, em 99. Minha incumbência era fotografar FHC, então presidente do Brasil. Estava apreensiva, pois o ambiente era imenso, havia muitos fotógrafos de diversos veículos de comunicação, superequipados, e eu estava munida da minha Canon AE1, câmera analógica com apenas uma objetiva de 50mm. Pra piorar, meu flash demorava cerca de 15 segundos pra recarregar, tempo incomensurável numa coletiva de imprensa. Quando o presidente acompanhado do diretor das organizações Globo, Roberto Marinho, se aproximaram para falar com os jornalistas, uma multidão de fotógrafos tampou minha visão. Sem pensar muito, agachei-me e fui ganhando espaço entre pernas até perceber uma luminosidade diferente que indicava a presença dos ilustres. Fiquei de pé, bem nas costas do "doutor" Roberto. Daí, comecei a cutucá-lo, "doutor Roberto, doutor Roberto". A cada toque, um gesto de desagrado dele sobre os ombros, tentando se livrar dos meus dedos. Só sei que quando ele e FHC se viraram para serem fotografados comecei a gritar, enlouquecida, "presidente, presidente", e saiu esta foto. Suadíssima!











Coletiva para imprensa no lançamento da boneca da Thaís Araújo (98/99)













Fernando Torres e Fernanda Montenegro, no Prêmio Cláudia, concedido anualmente a mulheres de grandes atitudes, anônimas ou não.












Regina Casé, na festa de uma das revistas da Editora Globo, na Tom Brasil.































Xuxa, numa coletiva de um lançamento da Arisco.




















O baixinho da Kaiser, muito simpático por sinal, na festa dos 30 anos da DPZ, no Palace, em 99.



01.12, DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A AIDS

Sou a favor do "antes tarde do que nunca". Nem todo clichê é desprezível, ou pelo menos, nem sempre, rs. Assisti a dois documentários no Canal Futura (gosto do slogan "o canal que liga você") sobre movimentos de combate e prevenção a AIDS na África do Sul, Filipinas, Índia, entre outros: O Diário de Kelly e Ritmo Solidário. Ambos muito bons. É triste demais saber que nesse mundo há tanta tristeza e dor, enquanto continuamos lutando por causas próprias, na maioria, banais. Segundo um texto que li na internet, há 33 milhões de pessoas convivendo com o vírus da AIDS no mundo, sendo 630 mil no Brasil.

Em Guaxupé, a AVV (Associação Viva a Vida), se não me engano era este o nome correto, encerrou suas atividades alguns anos atrás. Uma das informações que tive, era que aumentou o número de mulheres casadas infectadas no município. Esta informação é preocupante. Sem a AVV os portadores do HIV em Guaxupé ficaram ainda mais vulneráveis. Quem são esses seres invisíveis, circulam entre nós, fazem parte do nosso convívio? O HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) não se transmite pelo contato social cotidiano, como pela respiração, objetos (pratos, talheres, etc), alimentos, assentos de sanitários ou insetos. Ele está presente no sangue, sêmen e fluido vaginal das pessoas infectadas, por isto, o uso de preservativos é fundamental.

E a gente tem que ficar ligada, mesmo. Porque não tem essa de confiança mútua, todos estamos sujeitos, afinal, quem nunca transou sem camisinha com alguém, por diversos motivos, uma bebedeira, oportunidade única, tesão incontrolável, sei lá?

sábado, 28 de novembro de 2009

consciências

"A morte não existe, Besouro.
Morto é quem que vive sob as botas dos outros."
(Mestre Alípio, no filme Besouro)

O diretor do filme Besouro, o publicitário João Daniel Tikhomiroff, fotografado por mim em 98 ou 99, quando eu trabalhava para a revista Propaganda, em São Paulo.

"Quando Manoel Henrique Pereira nasceu, não havia nem dez anos que o Brasil tinha sido o último país do mundo a libertar seus escravos. Naqueles tempos pós-abolição nossos negros continuavam tão alijados da sociedade que muitos deles ainda se questionavam se a liberdade tinha sido, de fato, um bom negócio. Afinal, antes de 1888 eles não eram cidadãos, mas tinham comida e casa para morar..."

Na íntegra em
http://www.besouroofilme.com.br

Besouro REVELOU um drama desconhecido por muitos, com uma bela fotografia e elenco competente. Embora tenha sido tudo muito rápido (cenas e desenrolar do enredo) e, aparentemente, superficial devido à escassez de diálogos, o conteúdo foi marcante, enalteceu um dos ícones do "movimento negro" no Brasil. Ainda bem que pessoas inspiradas e competentes tiveram a ideia de valorizar e perpetuar essa história.

NO CINE 14 BIS


Fotos da capoeira do Mestre Luizinho feitas pelo jornalista Silvio Reis (Correio Sudoeste)


Dia 27, sexta, o Cine 14 Bis exibiu uma sessão especial, gratuita, do filme Besouro em homenagem a Semana da Consciência Negra (20 de novembro, Dia da Consciência Negra). Após o filme, um bate-papo informal com Flávio de Castro, cientista político e coordenador da Rede dos Pontos de Cultura de Campinas, e com as irmãs Jurema e Jussara Otaviano, educadoras e integrantes do grupo musical A Quatro Vozes. Também foram convidados a integrar a mesa o mestre de capoeira Luizinho e Ana Luíza de Souza, diretora da Ação Social, por seu estudo sobre os quilombos.

O CINEMA ficou lotado durante a exibição do filme, mas, após, muitos foram embora. Os que permaneceram interessados foram compensados com informações instigantes e com a simpatia dos palestrantes. Entre diversas considerações, Flávio informou dados sobre as condições socioeconômicas do negro brasileiro; Jussara falou sobre a Igreja (de Nossa Senhora) do Rosário, local de devoção dos negros que aqui residiam; o mestre de capoeira Luizinho relatou seu trabalho em Guaxupé, lembrando que a capoeira foi instituída Patrimônio Imaterial da Cultura Brasileira, a partir de 2008; Jurema ressaltou que a capoeira é a única arte marcial ligada à música, e Ana Luíza relembrou o avô, também negro, um dos fundadores do Lar São Vicente.


Os palestrantes observados pelo Mestre Pastinha (1889-1981), um ícone da história da capoeira, fotografado pelo professor Ms Flávio de Castro (de preto, entre Jurema e Jussara).





Na plateia, três pré-adolescentes (foto acima) se destacaram, porque além de permanecerem até o final, interagiram com os palestrantes. Parabéns, também, para Mauri Palos pela iniciativa.

A Prefeitura Municipal e o Departamento de Ação Social PODERIAM ter organizado uma semana de debates e exaltação da cultura negra, como aconteceu em diversas cidades do País. Afinal, como informou Flávio de Castro, METADE da população brasileira é negra ou afrodescendente. Em Guaxupé, não há estes dados. O Cine 14 Bis (em parceria com o Instituto 14 Bis) foi o único a fazer referência à data. Em anos anteriores, a professora Elizete Mendes promoveu diversas atividades e discussões sobre o tema, no Polivalente.




Imagem que recebi de um amigo por e-mail.










Eunice Marino, querida professora da época do ginásio, é dona de uma mente incansável, singular. Em um artigo na última edição do Correio Sudoeste, "dona" Eunice homenageou Claude Lévi-Strauss (1908-2009), antropólogo francês de origem belga, que morreu dia 1º deste mês (talvez, em 30 ou 31 de outubro...). É dele a frase: "Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele" - mensagem que sempre deveríamos ter em mente.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

casamentos

Há várias espécies de casamento. No sentido figurativo de união, por exemplo, ele independe de celebrações, bênçãos religiosas ou da lei dos homens, já nasce pronto.

Portanto, em respeito aos laços invisíveis que me une a Ricardo Zaiat, compareci ao casamento dele com Viviane Martins, no último sábado, no Clube Guaxupé. Digo isto porque não sou muito chegada a eventos desse tipo. Nada contra casórios, apenas não me sinto à vontade com tanto mise-en-scène. Mas com tantos aspectos em comum entre mim e Ricardo na nossa trajetória de vida, não poderia deixar de registrar o ocorrido neste blog.
Tanto eu quanto ele integramos o núcleo guaxupeano de profissionais da Comunicação (ainda que desafinado). Ricardo, pela Rádio Clube e TV Sul. Eu, pelo conjunto da minha obra, iniciada antes mesmo de conquistar o diploma de jornalista, em 92, que remete às poucas edições do jornal "agilitar", no colégio Dom Inácio, onde estudamos na mesma turma. Ricardo, ainda menino, foi aprendiz do meu saudoso tio Kaled Cury, fundador da Rádio Clube em parceria com o amigo Nabih Zaiat (as mães de ambos, Lidia Cury e Angelina Zaiat, eram também muito próximas).
Fiquei feliz e honrada em ser convidada pelo Ricardo a iniciar com ele o Jornal TV Sul, em 2005. Nossa parceria foi intensa durante os 5 meses em que estivemos juntos, o aprendizado foi grande. Hoje em dia, mesmo profissionalmente distantes, continuamos fisicamente próximos, pois a Rádio Clube fica praticamente em frente à minha casa, rs.
Também me senti especial na festa do casamento, foram poucos os convidados. O ritual, comandado pelo padre ortodoxo Joseph, foi emocionante, pelo menos para mim, pois, como Ricardo, descendo dos primeiros sírio-libaneses a se radicarem em Guaxupé (Padre José Elias, meu bisavô, angariou fundos para a construção da 2ª Igreja Ortodoxa construída no Brasil, situada na Rua da Aparecida). Num dado momento, o padre pede para os convidados baterem palmas. Excetuando alguns exageros, os aplausos caíram como luva para celebrar a ocasião. Vida longa ao casal!


Foto informal dos noivos feita por um convidado(a)



Foto tirada durante uma das primeiras reportagens do telejornal: Ricardo, Viviane, Thiago Leonel, eu e Binho Mancini.


Um dos poucos registros fotográficos que tenho do meu saudoso DKV azul. Coincidentemente, a chave do DKV do Ricardo Zaiat também abria o meu. Várias vezes tive que procurar meu carro, pois o "colegão" mudava ele de lugar. Na primeira vez, depois de uma feijoada no Dom Inácio, quase morri de susto: "Com tanto carro bacana na porta roubaram meu DKV?" Acabei me acostumando com a brincadeira, mas não deixava de "excomungar" o Zaiat. Herança do meu bisavô padre, rs.

No chão, Lik, Eliana Muniz e Teia; sobre o DKV Adriana e Cristina Ribeiro, eu, Flávia Dallora e Ceres.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

das gerais

Tanta coisa nasce nas Minas Gerais. Das mãos da mulher que cozinha, dos fogões de lenhas suplantados pelos modelos a gás, das vacas e dos suspiros das moças nas noites de luar; dos versos do poeta que seguiu em frente, deixando o medo pra traz. Vixe! O fato é que o bom filho à casa torna. Eu que iria escrever sobre zonas (azuis) e in-seguranças... Por hora, melhor ficar com a singeleza das músicas e simplicidade do Bruno das Gerais, que nasceu em Alfenas mas é guaxupeano (ou guaxupeense) de coração.



"O repertório traz músicas que falam da natureza interior e exterior, músicas que falam do campo, da paisagem do interior, do som dos pássaros, do cheiro da chuva, das frutas, como um perfume que inebria os sentidos, um perfume da natureza... Da preguiça gostosa, da rede tentada, do saborear o gosto de um momento sem estar pensando no momento anterior nem no seguinte. Aquela cantiga de se cantar debaixo de um céu estrelado, seja onde estiver. Foram músicas que compus em contato com a natureza de Minas e São Paulo, com suas cachoeiras e paisagens cheias de verdes e aromas, em contato com o mar e com o rio, em Sergipe. O simples da vida, de uma paisagem do interior."

(Bruno César Prado Marcondes - aquele garoto cabeludo que até pouco tempo frequentava o "bar do serjão" e andava pela cidade com o violão e versos debaixo dos braços. Vez ou outra era flagrado em contemplações poético-musicais na Praça do Rosário. O filho da Suely e do Luiz Paulo ganhou asas, em São Roque casou-se com Priscilla. Em Aracaju plantaram sementes, nasceu Bellinha. Atualmente, vive com a família no Ceará ou outro recanto do nordeste, fazendo poesias, tocando e cantando nos barzinhos da vida)

Conheça mais seu trabalho no site: www.brunodasgerais.wordpress.com



Além de assistir ao show no 14 Bis, para dar uma força ao Bruno acesse o site da gravadora Trama Virtual ( www.tramavirtual.com.br ). Você se cadastra no site (é só colocar nome e e-mail) e tem acesso a um tanto de música de artistas e bandas independentes. Pra baixar a música é gratis e o artista recebe um troquinho para cada download efetuado. Quem tiver acesso fácil e rápido à internet é só entrar no site, se cadastrar, colocar no buscador BRUNO DAS GERAIS: "Vai aparecer um tanto de Bruno. Acho q o meu tá na opção 12. Não pode baixar várias vezes a mesma música pq eles detectam o ip do computador, aí nao contabiliza no final e podem alegar fraude tb. E não é só escutar não, tem q fazer o download! Primeiro clica na música pra escutar, aí aparece a opção download, clica de novo! Daí é só esperar baixar", explica Bruno.


Recebi este convite por e-mail e fiquei com inveja, gostaria que fosse aqui...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

besouro em guaxupé

Andei pensando sobre a finalidade dos grandes besouros que invadem a cidade nesta época. Onde ficam estes insetos até adquirirem tamanho suficiente para voar e logo morrer? Uma amiga deixou besouros mortos enfeitando o jardim da casa dela ("em vez de duendes"): "Eles são bonitos, né?" Gosto não se discute, provoca reflexão. Realmente este inseto preto causa repulsa e compaixão. Primeiro porque tem pelos e patas que grudam. Segundo, porque ficam de costas se debatendo até morrer, despertando, em muitos, hostilidade.
Destino cruel...










BESOURO NO CINEMA:
INGRESSOS A PREÇOS MAIS POPULARES NA SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, COM DEBATES E PALESTRAS


Semana do Filme Nacional – de 20 a 26 de novembro de 2009.

Os números mostram que a adesão do público aos filmes nacionais é cada vez maior: somente nos primeiros três trimestres de 2009, o número de espectadores já superou o de todo o ano de 2008. Grandes sucessos como Se eu fosse você 2, A mulher invisível, Divã e Os Normais 2 levaram milhões de espectadores aos cinemas.

O Cine Teatro 14 Bis inovou mais uma vez e em parceria com a ANCINE (Agência Nacional de Cinema) criou o projeto “Sessão-Brasil 2009”. Este programa aumentou em 60% o público dos filmes NACIONAIS e deve voltar em breve. Porém, para a retomada definitiva do crescimento do mercado audiovisual é preciso mais iniciativas.

Por isso mesmo, a Semana do Filme Nacional, que acontecerá de 20 a 26 de novembro, tem tudo para se tornar um êxito ainda maior que a campanha de 2009, quando mais de 300 salas exibiram filmes nacionais a preços populares. Com ingressos a 6 reais (e 3 reais a meia), espectadores de todo o Brasil terão a oportunidade de ver e rever os melhores lançamentos do ano.

O Cine 14 Bis aderiu voluntariamente a este projeto, numa demonstração de associativismo e participação no desenvolvimento cultural do País. O selecionado pelo Cine 14 Bis é o lançamento BESOURO, que conta história do maior capoeirista de todos os tempos. Um menino que, ao se identificar com o inseto que desafia as leis da física, desafia ele mesmo as leis cruéis do preconceito e da opressão. Um mito, um super-herói. BESOURO é um épico em que fantasia e história se misturam no cenário deslumbrante do Recôncavo Baiano dos anos 20.

Em homenagem à semana da Consciência Negra, o Cine 14 Bis de Guaxupé realizará no dia 27 de novembro de 2009, às 19h30, uma sessão especial do filme BESOURO que contará com uma palestra do Professor Flávio de Castro e um debate cultural mediado pelo Professor Mauricio Flamini. Os convites para esta sessão são limitados e podem ser retirados no Cine 14 Bis de Guaxupé.

Comunicação Cine 14 Bis
www.cine14bis.com.br



E CINECLUBE 14 BIS APRESENTAM:

“Panoramas III: Sertão Fabulado”

27/11/2009, SEXTA-FEIRA, às 18h.
CINE TEATRO 14 BIS – Guaxupé
Duração: 44 minutos
SESSÃO GRATUITA


Sinopse:
Quatro animações fazem uma releitura das fábulas do imaginário do sertão nordestino.

► O Lobisomem e o Coronel: Um violeiro cego dedilha um repente e conta uma história passada na fazenda de um rico coronel da região.

► Até o Sol Raiá: Personagens de barro criados por um artesão ganham vida própria e agitam uma pacata vila sertaneja em uma noite de festa.

► O Jumento Santo e a Cidade que se Acabou antes de Começar: O sertão nunca mais será o mesmo depois que o jumento Limoeiro vem a Terra para dar um jeito na humanidade, que depois de sucumbir à tentação do capeta, acaba botando o mundo em desordem.

► A Moça que Dançou depois de Morta: Baseado na história de cordel, um rapaz se apaixona por uma misteriosa moça num baile de carnaval do interior.

Informações:
Instituto 14 Bis de Educação e Cultura
Tel.: 35-3551-6669 / www.instituto14bis.org.br




Convite à Saudade
Soares Feitosa

Eu pedi, compadre Chico,
ao grande besouro,
Besouro Preto do alto dos coqueiros,
ele passeava de uma árvore a outra,
e me disse que de lá de cima, do alto,
avistava tudo,
distantes horizontes,
longas planícies...

Perguntei se lá do alto do coqueiro mais alto,
ele avistava uma serra distante,
depois destas vastidões de areia,
de nome “das Matas”, a serra;
um sabiazal
- de árvores e de passarinhos, sabiás -
tem uma grota abrejada, de nome “da Palha”,
perto da casa do seu Zedonana...!

E então compadre Chico,
mestre Besouro Preto olhou e olhou,
avoou de uma árvore a outra,
fez um cocuruto de vôo, mais alto,
voltou num rasante e disse:

Compadre Moleque, não vi nada,
e se tivesse visto, lugar tão bonito,
como você sempre fala,
onde corre a Grota da Palha,
onde têm sabiás - árvores cheirosas -
onde têm sabiás - pássaros amigos -
que não comem besouros pretos,
eu também, compadre Moleque,
teria voado para lá...

E, tão amigos que temos sido,
nestas praias de areia fina - Paracuru -
levaria você comigo,
você cavalgaria às minhas asas,
me mostraria essa tal grota da Palha,
esses sabiás,
paus de flor e pássaros de canto,
me apontaria também
a amada do nosso patrão,
nosso amo,
o seu compadre,
o compadre Chico...

E eu, besouro insosso que nunca tive voz,
sequer um estrídulo de repetição
igual ao da comadre Cigarra,
ao do compadre Grilo,
mesmo assim,
sem voz nenhuma,
faria uma música para ela,
à sombra do pé de benjamim,
do alpendre da casa dela,
e cantaria em esplendor:

Dona moça, dona moça,
bote seu melhor vestido,
o ruge, o pó-de-arroz,
um perfume bem cheiroso,
nosso Compadre vem aí...
'tá de volta... 'tá de volta...
'tá de vooooolta!
...

Notas para Convite à Saudade:

1. - Besouro Preto: Rhynchophorus palmarum, besouro de grande porte, com uns 8cm de tamanho, terror dos produtores de coco da Bahia, ataca o olho do coqueiro. É de um preto aveludado. Não tem ferrão, mas mete medo pelo porte, (in Fruticultura Brasileira, Pimentel Gomes, Nobel.)
2. - Das Matas, Serra das Matas, região centro-oeste do Ceará, cidade de Monsenhor Tabosa, infância do poeta.
3. - Irmão-de-leite: Era costume, na região, alimentar as crianças com leite de jumenta. Os filhos da mãe-de-leite, ou ama-de-leite, são considerados irmãos de leite e, naturalmente, compadres.
4. - Grota da Palha, a 2 km de Monsenhor Tabosa. No período das chuvas, essa pequena grota abrejava e corria por alguns meses para grande alegria dos banhos da meninada.
5. - Sarnelha: regionalismo, corruptela de cernelha, o espinhaço do animal, nos jumentos marcado por uma linha mais escura que vai crinas ao rabo, com uma ramificação de lado a lado à altura das paletas. Diz a lenda que essa marca teria sido feita pelo menino Jesus, em boa mijada, na fuga para o Egito. Verdade ou mentira, todo jumento tem sua cruz...
6. - Paracuru, CE, praias belíssimas, sítio Praia das Bicas, para onde, fato real, o jumento Moleque foi transportado e, em aposentadoria de boa mordomia, passou seus últimos dias, livre de cargas, cangalhas e cabrestos.
7 .- Saibam todos: variante de um tema de Gerardo Mello Mourão, in O País dos Mourões, Testamento da Burra Graviola.
8. - Não cai uma ave nem um cabelo: Mateus, 10:29/30
9. - Meia-Noite e Bacalhau: personagens do poema Format Cê Dois Pontos.
10. - Todos viajaram, todos se mudaram: fenômeno da migração do campo para as cidades pequenas e destas para a cidade grande. O perfil rural do Brasil inverteu-se completamente: capitais inchadas e o sertão em declínio e despovoamento. Favelização dos grandes centros.
11. - Frete: Monsenhor Tabosa a Paracuru, aproximadamente 300 km.

Colofão:
Este poema foi escrito em Paracuru, Ce, litoral norte, manhã de 17.07.94, Sítio Praia das Bicas, quando o vaqueiro Chico Florindo mostrou o local, em meio aos coqueiros - morada dos besouros-pretos - onde enterrou o jumento Moleque.



Leia o poema na íntegra:
http://www.jornaldepoesia.jor.br/feito12.html



PARA FINALIZAR,
PRIMAVERAS EM GUAXUPÉ: